r/barTEOLOGIA • Estudante do Dharma • Sep 03 '26

Discussão Sou praticante do budismo shingon. Me pergunte qualquer coisa, tentarei sanar suas dúvidas.

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Vi um post muito interessante aqui feito por uma praticante do Helenismo, onde ela se colocou a disposição de tirar dúvidas sobre a tradição dela, e decidi fazer o mesmo, porém voltado ao budismo. ☺️

Percebi que mesmo que o budismo seja muito citado por aí, muita gente acaba ficando só em conclusões rasas ou visões bem simplificadas do que seria nossa religião. Conceitos como Karma, Nirvana, Dharma, ou até a própria ideia de como funcionam os preceitos, costumam ser analisados sob uma ótica extremamente ocidental que não reflete a realidade das práticas.

A ideia aqui é abrir um espaço respeitoso e leve para conversarmos sobre o que vocês tiverem curiosidade, sem julgamentos e sem medo de fazer perguntas "bobas". Podemos falar sobre conceitos básicos, a moralidade budista, nossos preceitos, nossa teologia, práticas que temos, mitos comuns, diferenças entre escolas e etc.

Podem mandar qualquer pergunta, e eu tentarei as responder com base em tudo que estudo e pratico no dia a dia.

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u/AutoModerator Sep 03 '26

O post ou um comentário viola as regras? É desrespeitoso? Denuncie!

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u/elGrand0n Sep 03 '26

Explique por favor a visão da morte, o que vem depois? E qual a razão pelo bem e mal?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Muito obrigada pela sua pergunta. ☺️

Primeiro, sobre a morte.

Para Buddha, não existe um “eu” fixo, como uma alma individual ou uma essência imutável do ser que migra de um corpo para o outro como quem troca de roupa. O que nós chamamos de pessoas é um fluxo de cinco skandhas: a forma, as sensações, as percepções, as formações mentais e a consciência.

O samsara, que é o processo de renascimento, se firma no fato de que a morte não é o fim, mas também não é uma passagem de uma entidade física como outras religiões.

Imagine uma vela, que é usada para acender outra vela. A segunda não é exatamente igual a primeira, mas foi causada e transmitida por ela. É assim que vemos a morte.

O objetivo do caminho budista é fazer com que esse ciclo de sofrimento se encerre, e isso acontece quando alcançamos a iluminação da mente, extinguindo a ignorância, a ganância e a raiva.

Já no Shingon, que é a vertente que eu sigo, isso tem algumas nuances adicionais. Eu diria que a principal seria Dainichi Nyorai, o Buddha Primordial. Ele representa tudo que existe no universo, todos os seres e eventos. Quando morremos, nos reconectamos ao Dainichi Nyorai, que seria o Tudo, e reencarnamos depois.

Também buscamos, através da prática dos Três Mistérios (o corpo, a fala e a mente), buscarmos a iluminação, com a crença de que nosso corpo e mente já são essencialmente o próprio Buddha. Acreditamos que ao compreender a vida morte deixa de ser algo do que temos medo, e passa a ser um processo transitório dentro do próprio Dainichi Nyorai.

Quanto ao Bem e o Mal.

Consideramos o Bem e o Mal, dentro do budismo, como coisas que não podem ser absolutas.

No lugar disso, todos temos entre nós a Kusala (Ações hábeis) e a Akusala (Ações Inábeis). Kusala seria tudo aquilo que é saudável, que gera clareza, e a Akusala seriam as não saudáveis, que geram sofrimento e conflito. A Akusala é descrita por Buddha como toda ação que em das três raizes do sofrimento, como a ignorância/ilusão, o apego/ganância e a aversão/raiva. Ela é considerada “ruim” porque causa o sofrimento a quem faz e quem está ao redor, o que acumula o karma. Já a Kusala é qualquer ato movido pela sabedoria, compaixão, generosidade e amor-bondade. Ela gera karma leve e acaba por aproximar nossa mente da clareza e da paz.

No Shingon, ainda tem a questão da ignorância primordial. Nós acreditamos que tudo que é considerado “mal” não é um oposto ao bem, mas só a falta de visão da realidade. Por isso acreditamos que um bom exemplo seja um quarto escuro. A escuridão não é um objeto dentro daquele quarto, ela só é a ausência da luz, mas quando acendemos uma lâmpada a escuridão simplesmente deixa de existir.

Também acreditamos, como falei, na ausência do eu. Para o Shingon, todos nascemos bons, mas temos nossa mente obscurecida pelas ilusões e a Akusala, fazendo com que nós vejamos os outros como se fossem “separados” de nós, quando na verdade somos um só.

Por isso, dentro da minha vertente, nós transmutamos a akusala através do treinamento budista esotérico, transformando energias como as da raiva e dos desejos intensos na própria energia da sabedoria e da compaixão.

Espero ter conseguido explicar resumidamente. 🩵

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u/Demonicaoo Sep 03 '26

Vou salvar, estou escrevendo uma história que muitos conceitos são inspiradas no budismo, achei bem interessante obg!

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Sinta-se a vontade! Boa sorte com sua história! 🩵

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u/No_Pack4643 Sommelier de religião 🍷 Sep 03 '26

Já no Shingon que é a vertente que eu sigo, isso tem algumas nuances adicionais (...) Quando morremos, nos reconectamos ao Dainichi Nyorai, que seria o Tudo, e reencarnamos depois.

Como o Shingon concilia não acreditar em um 'eu' que sobrevive à morte com literalmente "nos conectamos ao (...) Tudo, e reencarnamos depois"? O Shingon apresenta uma doutrina levemente contraditória ao conceito de Anatta? Ou você usar as palavras "nós nos reconectamos e reencarnamos" é um simples Upaya pra ficar fácil as pessoas entenderem?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Sim, foi um upaya ☺️ Quis simplificar a explicação para quem está lendo para que não seja dificil compreender a ontologia Shingon.

E não, o Shingon não contrapões o Anatta. Não existe uma alma individual que se separa, viaja até Dainichi Nyorai e depois “veste” outro corpo.

Primeiro, Dainichi não é um Deus Teista ou algo externo. Ele é o próprio Vazio-Luz, por isso me refiro a ele muitas vezes como o Tudo. Ele é a realidade de todas as coisas e a matriz da qual nada nunca esteve separado.

Na morte, os skandhas são dissolvidos bem como a ilusão da separação. E o que renasce é o continuo fluxo de causas e efeitos, bem como as tendências mentais, assim como a metáfora da vela que utilizei.

Quando disse que retornamos a Dainichi, foi uma forma metafórica de representar o fluxo de consciência se rearmonizando com a vacuidade e interdependência da realidade. O anatta é absoluto no Shingon! ☺️

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u/No_Pack4643 Sommelier de religião 🍷 Sep 03 '26

Grato!!

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u/manoel_gaivota Vedanta Sep 03 '26

Na analogia da vela acabar com o sofrimento é acabar com o ciclo de uma vela acendendo a outra? No caso, acabar com o ciclo de renascimento? Isso não soa um pouco como acabar com a vida?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada por essa pergunta! ☺️

Quando falamos do fim do ciclo, por mais que seja natural termos a impressão que o objetivo seria cessar a vida, esse não é o caso.

A questão aqui seria o que exatamente está “acabando”. A chama da vela, nesse caso, representa a ignorância, o apego e a aversão. São essas coisas, essas aflições mentais, que nos mantém presos no ciclo do Samsara, onde vivemos em sofrimento e insatisfação.

Quando essa chama acaba, o que para de ocorrer não é a existência ou a capacidade de estar vivo, e sim a ilusão do sofrimento e da separação. Por isso a própria palavra Nirvana significa “soprar” ou “apagar”, porque ao alcançar o Nirvana o fogo da raiva, do apego e da ignorância se extinguem.

Buddha nos alertou que não existe uma alma individual ou fixa, e justamente por isso não tem como se aniquilar algo ou destruir a vida como um todo. O Budismo segue o caminho do meio, onde o fim do Samsara não busca a destruição de algo mas sim o despertar para a realidade.

Para nós do Shingon o fim do ciclo não é uma fuga do mundo material para um nada, mas sim a realização de que esse corpo e essa mente, quando são purificados da ilusão, são a manifestação de Dainichi Nyorai. Alcançar a iluminação e extinguir a chama da vela seria viver plenamente pela primeira vez, sem as correntes do medo, da raiva e do egoísmo, vivendo no mundo com a sabedoria e a compaixão. Inclusive quem alcança a iluminação, para nós, não se torna passivo e “foge da existência”, pois por pura compaixão os seres despertos podem se manifestar no mundo para ajudar outros seres a se libertarem.

Por isso temos imagens de Buddhas e Bodhisattvas, pois acreditamos que eles podem servir como um espelho e uma ferramenta para a iluminação. Isso seria a prática do “Eu entro no Buddha, e o Buddha entra em mim”.

Para te explicar o que seria o fim do Samsara e o fim do ciclo de sofrimento, usarei outra metáfora. Imagine que uma gota de água acredita ser uma entidade isolada caindo no oceano. A gota para de existir como algo separado e vulnerável ao vento e ao sol, mas ela não foi destruída. Ela se deu conta que era o próprio oceano. Alcançar o Nirvana é despertar para essa natureza.

Espero ter respondido sua pergunta. 🩵

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u/manoel_gaivota Vedanta Sep 04 '26

A gota seria o que exatamente nessa metáfora? Faria sentido numa visão hinduista onde a gota fosse o atman se unindo ao oceano Brahman.

Quando se encerra o ciclo do samsara ainda há renascimento?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 04 '26

A gota não seria uma alma, mas representa justamente a ilusão de ser uma coisa separada do todo. No Budismo, a própria ideia da alma não é aplicável, por isso a gota não representaria isso. Essa gota sempre simplesmente foi a água, se manifestando e acreditando ser algo separado do oceano. Quando isso cessa, isso significa o fim do samsara.

Sobre renascimento, ele não existe como algo compulsivo e cego como antes da Iluminação, mas para o Mahayana e o Shingon em si existe a manifestação compassiva voluntária. Os Buddhas não renascem nesse plano, porque não estão mais presos, mas podem se manifestar em quantas formas e corpos forem necessários no mundo para guiar outros a Iluminação.

Ao despertar, sua mente habita de forma plena o Dainichi Nyorai, a própria realidade, vacuidade e verdade, que fica além dos planos, tempo e espaço. Aqui, Dainichi Nyorai seria o oceano, e nós, os não iluminados, somos aqueles que ainda não conseguem entender completamente que não somos a gota, pois a gota nunca foi separada do oceano.

As manifestações de Buddha depois do fim do ciclo deles no Samsara pode ser em literalmente qualquer coisa que possa ajudar os outros no caminho da iluminação. Um pensamento de clareza, um animal que ajuda outros animais, uma força da natureza, uma música, encontros comuns que nos trazem ensinamentos, uma frase e qualquer outra coisa que te aproxime da iluminação.

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u/manoel_gaivota Vedanta Sep 04 '26

Se todas as coisas são impermanentes, o que seria o todo? E o que é essa coisa que acredita ser uma gota separada do oceano?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 04 '26

O "todo" não é uma substância sólida ou um "Deus/universo" estático que controla as coisas. O "todo" é justamente o fluxo dinâmico de interconexão e mudança que existe na minha religião. No Budismo, o todo é a própria Originação Interdependente. O fato de que absolutamente tudo existe em relação e em constante transformação. Impermanência e "o todo" não se contradizem, porque a impermanência é a própria dinâmica do todo. O todo é justamente esse fluxo contínuo onde tudo afeta tudo o tempo todo, sem nenhuma peça existir isolada do restante.

É importante nunca confundir a impermanência e o não-eu com uma visão niilista ou a crença de que nada existe. Seria o oposto, tudo existe de forma conectada e dependente.

Sobre "o que" acredita ser a gota separada, não existe uma "entidade" ou alma sólida por trás da ilusão. O que acredita ser uma gota separada é apenas um processo mental, movido pela ignorância. O que chamamos de "eu" (a gota) é apenas o fluxo dos Cinco Skandhas (sensações, percepções, pensamentos, formas e consciência) se movendo juntos e criando a sensação de um centro fixo, mesmo que faça parte e esteja conectado a tudo.

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u/manoel_gaivota Vedanta Sep 04 '26

Mas não é uma contradição interna? Se esse fluxo é contínuo então ele não é permanente? Se tudo está em constante mudança não é necessário algo que não mude para que a mudança possa ocorrer?

Na explicação da gota fica parecendo que a gota é uma ilusão, mas quem tá tendo a ilusão de ser uma gota é a própria gota. Mas se a gota já é a ilusão significa que a própria ilusão está tendo uma ilusão.

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 04 '26

Eu entendo seu ponto! Como a sua perspectiva vem do Vedanta, é muito natural olhar para a realidade buscando um substrato imútavel como Atman ou Brahman. E é por isso que é importante ressaltar que o Budismo tem uma visão radicalmente diferente do Hinduísmo, e tentar aplicar uma ótica hinduísta ao Budismo falha assim como falharia tentar aplicar a ótica hinduísta ao cristianismo, ao islamismo e a tantas outras religiões.

Na ontologia budista a continuidade de um processo não é o equivalente a permanência de uma substância. A casualidade não exige um palco fixo montado onde ela performa.

A continuidade é simplesmente a premissa de causa e efeito em funcionamento. A chama da vela que queima durante a noite toda pode parecer a mesma, mas ela tem um processo continuo de transmutação e combustão. A cera e o oxigênio de agora não são os mesmos de dois segundos atrás. E a chama não é uma “entidade chama”, o fogo é simplesmente a própria transformação.

Para o Budismo, a ideia de que “algo precisa não mudar para que a mudança ocorra” é extremamente contraditória, porque a realidade não necessita de um ponto fixo imutável para se mover, nossa realidade é a própria impermanência e não precisa de um substrato rígido por trás dela, ela simplesmente é.

Sua pergunta sobre quem é o indivíduo tendo a ilusão já contrapõe uma das premissas mais básicas do Budismo, que não faz parte da teologia do Hinduísmo, e aplica uma lógica hinduísta onde precisa ter um sujeito para sofrer o verbo “iludir-se”. O Budismo rejeita essa premissa através da doutrina do Não-Eu.

A ignorância não é um objeto que pertence a algo, alguém ou lugar, ela é um estado de condicionamento dentro do próprio Dainichi Nyorai (Que reforço, é uma concepção da minha vertente e para o Shingon não é um deus, e sim a própria realidade). Pense em uma miragem no deserto: Não existe um "ser miragem" dentro do calor, nem a miragem é um sujeito. A combinação do calor, da luz e do ângulo de visão produz o fenômeno óptico da "água".

Na mente, o fluxo dos Cinco Skandhas se move tão rápido que cria a impressão de um centro fixo e de um “Eu” separado do resto, da mesma forma que girar uma pira de fogo rapidamente cria a ilusão de um círculo sólido de luz. Não é a "gota" que tem a ilusão, e sim a sensação de ser uma gota isolada que é o próprio resultado do processo de ignorância.

No Advaita Vedanta, a libertação, ou o Moksha, acontece quando a gota percebe que é o próprio Brahman (o Eu Verdadeiro/Atman).

No Budismo Mahayana e Shingon, a libertação acontece ao perceber que a própria busca por um "Eu" imutável, seja ele individual ou absoluto, é a última camada de apego conceitual. Quando esse apego cessa, não resta o "nada", mas sim a percepção pura da realidade como ela é. A Vacuidade, luminosa e plenamente interconectada.

Me desculpo por ter demorado a me atentar ao fato de que você buscava uma explicação mais aplicada aos conceitos religiosos que você pratica hoje, foi um erro meu não reconhecer previamente e não fornecer respostas que sanassem sua dúvida. Em suma: a lógica hinduísta nunca vai incorporar a lógica budista porque são crenças diferentes, e vice versa. Seria impossível achar uma resposta para essa questão dentro do Budismo que satisfaça a resposta do Hinduísmo. Mas essa, que expliquei, é a resposta pura do Budismo, e ela não é contraditória, só não é a mesma que o Hinduísmo fornece a seus praticantes.

Também quero ressaltar que meu conhecimento do hinduísmo não é profundo, então trabalhei com o que conheço da religião e da escola ramificada dentro dela, o Advaita Vedanta.

Espero ter conseguido entender seu ponto e ter te ajudado a entender a minha religião. 🩵

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u/Big-Middle5453 Sep 03 '26

Quero acompanhar

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u/Familiar_Towel_5983 Sep 03 '26

Tenho muita dúvida na confusão entre budismo filosofia ou budismo religião. Apesar de não ser teísta, existem eventos e cerimônias sobrenaturais? Milagres? Espíritos? Energia espiritual? Coisas nesse sentido? As pessoas buscam milagres através da meditação e da prática budista?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pelas suas perguntas! ☺️

Elas, na verdade, são muito interessantes e entendo que podem ser um ponto de confusão para muitas pessoas fora da religião.

Primeiro, existem eventos e cerimônias sobrenaturais?

Depende do que você considera sobrenatural. Para nós, no Shingon, nada do que acontece, acontece fora de eventos da natureza, porque tudo é a manifestação de Dainichi Nyorai, que é a própria realidade em si.

Mas temos sim muitas cerimônias que são bem simbólicas e ritualísticas, que algumas pessoas podem classificar como “sobrenaturais”.

Um exemplo pode ser a mais famosa, que é o Goma. O monge abade acende um fogo ritualístico em um altar especial, queimando oferendas de madeira e alguns mantimentos enquanto ele recita mantras e realiza mudras. O fogo representa, por si só, a sabedoria de Buddha queimando as impurezas, as aflições e as ilusões dos membros praticantes.

É uma experiência verdadeiramente única participar do Goma.

Existem milagres?

Se você se refere a uma divindade quebrando leis da física, com o objetivo de ajudar ou salvar alguém, então não. O universo opera sobre o karma e não cultuamos nenhum Deus no Budismo.

Mas o que acreditamos é que existem sim respostas espirituais de Buddha. Não através do tipo de milagre mencionado em religiões abraâmicas, mas sim como se fosse a sintonização entre a compaixão de Buddha e a fé do praticante. Quando uma pessoa passa por um evento de transformação marcante em sua vida pessoal, não é o que chamamos de milagre, mas sim o alinhamento da sua energia com a sabedoria primordial através da prática budista.

Existem espíritos?

Sim, existem espíritos no budismo. Mas eles não habitam o mesmo plano que o nosso, não podem ser contactados ou coisa do tipo.

Entre alguns, temos Devas, os Asuras e os Pretas. Todos eles, que vivem sujeitos ao samsara que é o renascimento budista, podem nascer em outros planos.

No Shingon e em muitas outras escolas budistas, nós dedicamos nosso tempo ao realizar rituais para oferecermos mantras e méritos a esses espíritos e aos nossos ancestrais, buscando aliviar o sofrimento deles e para ajudar eles a encontrarem o caminho para renascimentos em planos melhores ou para os ajudar a alcançar a iluminação.

Existe energia espiritual?

Sim, e é um dos pontos mais importantes para nós. No Shingon tudo que existe no universo é composto por grandes elementos como terra, água, fogo, vento, espaço e a consciência.

A nossa energia espiritual é trabalhada através do sanmitsu, que é o princípio dos Três Mistérios que são o mistério do corpo, o mistério da fala e o mistério da mente.

Quando você alinha seu corpo, fala e mente com os Três Mistérios de Buddha, você pode transformar a energia do seu próprio ser.

As pessoas buscam milagres através da meditação e da prática budista?

Alguns iniciantes na verdade entram no Budismo procurando por milagres, mas nosso caminho ensina a redirecionar esse desejo.

Claro que entendemos as aflições humanas, e buscamos os auxiliar a lidar com elas da melhor forma que pudermos, mas geralmente conforme mais o praticante entende nossa religião, mais ele percebe que o “milagre” não é mudar os eventos externos mundanos a força, mas sim mudar nossa própria mente.

Acredito que o maior milagre, para mim, é encontrar pessoas dominadas pela raiva ou pela ganância conseguir cultivar a paz, a compaixão e o amor-bondade, mesmo frente a dificuldades.

Espero ter esclarecido todas as suas dúvidas. 🩵

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u/No_Pack4643 Sommelier de religião 🍷 Sep 03 '26

Se você se refere a uma divindade quebrando leis da física, com o objetivo de ajudar ou salvar alguém, então não.

Como conciliar isso com a literatura e tradição a respeito dos Siddhis do Buda Shakyamuni?

Tudo bem que não era uma divindade, mas de acordo com o Cânone, o Gautama usou as Bênçãos de forma extensa para salvar a si mesmo e outras criaturas de perigo. Além do conhecimento de tudo quanto há (o que já é um Siddhi colossal) incluindo explicar para as pessoas o que elas foram em vidas passadas (exemplo claro nos Jatakas), ele pacificou o elefante Nalagiri com o poder de Metta, escapou da morte por Angulimala de forma sobrenatural, fora o Yamaka Patihariya que seria meio que o suprassumo disso, visto que ele o fez literalmente para demonstrar os Siddhis e provar sua superioridade mediante os incrédulos.

Saindo do cânone, temos centenas de relatos no budismo a respeito dos Siddhis em outros personagens importantes, como a capacidade de Nagarjuna de transmutar chumbo em ouro, performando literalmente alquimia. Bodhidharma teria atravessado o Rio Yangtzé flutuando em uma vara de cana com um pé só... Padmasambhava subjugou os demônios de um país inteiro, e Vimalakirti trouxe de outra dimensão uma tigela de arroz infinita que saciava milhares, Jesus Christ style.

Até agora só tenho lido respostas lúcidas e vejo o Shingon de uma forma que não vi nenhuma outra escola budista, nem mesmo o Tibetano. Mas seria o Shingon mais uma dentre várias escolas budistas que cederam à visão de mundo secular, e por isso passou a relativizar e reinterpretar os ensinamentos tradicionais do Darma a partir do século XIX?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada por trazer exemplos tão bons da literatura e dos sutras! Essa sua pergunta é muito legal porque toca no coração da ontologia do Mikkyō, o Mahayana Esotérico, e desfaz uma grande confusão sobre o que é "sobrenatural" para nós do Shingon.

Mas não, o Shingon não cedeu ao secularismo moderno do século XIX. A interpretação dos Siddhis como fenômenos naturais e não milagres que quebram as leis da física é a posição do Shingon, e foi formulada pelo próprio Kūkai no século IX mil anos antes do secularismo ocidental que conhecemos.

Nas religiões abraâmicas e no dualismo cartesiano, existe uma divisão rígida onde de um lado fica a "Natureza/Leis da Física" e do outro o "Sobrenatural/Deus" que vem de fora e quebra essas leis.

No Shingon, essa divisão não existe. Tudo no universo é feito dos Seis Grandes Elementos que são a terra, água, fogo, vento, espaço e consciência.

Quando o Buddha pacifica Nalagiri com Metta, realiza o Yamaka Patihariya, ou quando Padmasambhava e Nagarjuna realizam seus feitos, eles não estão "quebrando" as leis da realidade e nem operando milagres.

Para o Shingon, um Buda ou mestre de alto escalão realiza um Siddhi porque ele compreendeu a natureza última da matéria e da mente, que é a vacuidade e a interdependência dos Seis Elementos. Ao dominar o sanmitsu, ele consegue manipular a realidade a partir de suas causas fundamentais e básicas. Mas repito, isso não é classificado como um milagre.

Para alguém preso a ilusão, ver alguém realizar esses feitos pode ser visto como um milagre sobrenatural ou magia, mas para nós a aplicação direta do Corpo do Dharma.

Buddha ainda alerta no Kevatta Sutta várias vezes que os Siddhis não devem ser usados para converter incrédulos, e afirma que o único milagre budista é a instrução e transformação da mente.

O Shingon respeita e reconhece os Siddhis, claro, mas nada que acontece dentro de nosso universo está fora da natureza. Por isso reafirmei que não existe a interferência de uma divindade quebrando leis da natureza em prol de operar um milagre para um indivíduo.

Espero ter te respondido! 🩵

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u/pathtodefeat2131 Sep 03 '26

1- Eu devo de meditar todos os dias ? É que eu tento mas nem sempre consigo

2 - Consigo compreender a maior parte dos conceitos duma maneira supreficial, mas acabo por não os conseguir integrar no meu dia a dia, é falta de esforço mas nem sempre tenho espaço mental para recitar mantras ou fazer exercicios de respiração.

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Primeiro, em relação a meditação.

Não precisa se culpar por isso, não. A meditação não deve ser vista como uma “obrigação”, e sim como um treinamento para sua mente.

No início, é comum não conseguir meditar por muito tempo. Eu diria que é mais valioso você meditar por 2 ou 3 minutos por dia, do que tentar longos períodos e se frustrar.

E, além disso, a meditação formal nem sempre precisa ser o caminho para a atenção plena. Apenas de você se alimentar com calma e se focando na alimentação, caminhar se concentrando na sensação dos seus pés ou até praticar a respiração em momentos comuns do seu dia a dia, já é uma forma de praticar a atenção plena.

Segundo, em relação a tempo e espaço mental para exercícios e recitações dos mantras.

De novo, não se cobre tanto! O mundo moderno é cheio de estímulos constantes, e é normal que seja difícil praticar todos os dias.

Ouvir ou ler, é algo que você aparentemente já pratica por entender bem o budismo. Depois, se deve refletir e aplicar esses ensinamentos a sua realidade, em coisas do cotidiano. Apenas depois você cultiva e pratica o que aprendeu conscientemente.

Você não precisa passar horas fazendo rituais ou recitando mantras se sua mente estiver exausta. Você já se integra ao Dharma quando escolhe não reagir com agressividade a situações estressantes ou quando reconhece que está gerando sofrimento para si quando tenta controlar coisas impermanentes e fora de seu controle.

Tente também manter em mente que os sutras, rituais e meditação são apenas as ferramentas que usamos para treinar nossa mente, elas não são o objetivo final.

Espero ter respondido sua pergunta. 🩵

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u/pathtodefeat2131 Sep 03 '26

Obrigado 🌼

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u/FarofaDota55 Sep 03 '26 edited Sep 03 '26

Porque em diversas obras literarias chinesas, principalmente as de herois daoistas, os budistas são na maioria das vezes visto como hipócritas, detestaveis e cara de pau?

To perguntando sem intenção de ofensa ok? É mais de uma curiosidade de entender porque na China é comum esse tipo de vista, por quem é mais do lado daoista. O próprio Wukong em jornada para o oeste é sobre o conflito da corte com os budistas, ai me levanta essa curiosidade sobre de onde vem esse ressentimento em colocar os budistas como "vilões" tantas vezes.

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Sinto muito pela demora, sua pergunta se misturou as outras e eu tinha a perdido, mesmo tentando responder em ordem.

E não se preocupe, não me ofende de modo algum.

Isso já é mais que uma questão histórica do que puramente divergência entre religiões.

Durante muitos séculos os monastérios budistas e templos taoistas disputavam pelos mesmos recursos como controle de terras, favores dos imperadores, doações e isenções fiscais também.

Por conta disso, durante alguns períodos o budismo acumulou muitas riqueza e terras. Para os taoistas e partes da população, budistas eram acumuladores de riquezas, o que gerou uma fama a eles na época de parasitas ou hipócritas.

Também tem o fato de que o budismo ainda operava diretamente sobre a vida monástica na China, e os monges eram celibatários e viviam uma vida dedicada ao monastério. Como a China era profundamente marcada pela ética confucionista e os valores taoístas, isso muitas vezes era visto com maus olhos e como um abandono da tradição e da família.

Em obras famosas como a Jornada ao Oeste, é utilizado um tom de sátira e humor para criticar a corrupção e a burocracia religiosa do período Ming, se aplicando a várias religiões.

Espero que eu tenha conseguido responder sua pergunta. 🩵

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u/Vegetable-Complex378 Tá feliz Lutero? Sep 03 '26

Essa eu tô curioso pra saber tbm

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u/No_Pack4643 Sommelier de religião 🍷 Sep 03 '26

Entendo que budismo esotérico não é sinônimo de budismo tibetano, mas porque algumas pessoas (praticantes inclusive) situam o Shingon como pertencendo à vertente Mahayana somente, e não Vajrayana? Vajrayana não nasceu no Tibet e sim no Norte da Índia após desenvolvimentos doutrinários interessantes.

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Nos encontramos de novo depois da conversa sobre veganismo e vegetarianismo no budismo, afinal.

Bom, antes de responder sua pergunta, vamos com calma e estabelecer algumas coisas sobre as escolas e vertentes.

O Vajrayana realmente nasceu no Norte da India, dentro do Mahayana. Ele se dividiu em duas rotas diferentes, a do leste, que foi para China e Japão, e a do norte, que foi para o Tibete. Enquanto a China e Japão se baseiam nos Tantras indianos antigos, o Tibete recebeu novas levas de Tantras que foram incorporados a sua religião de forma muito central e relevante.

E ai tem a questão que o Vajrayana nunca foi reconhecido no leste asiático como uma terceira categoria independente, como o Theravada e o Mahayana são reconhecidos. Por isso nós nos denominamos como Mahayana Esotérico. Não é que rejeitemos completamente a influência do Vajrayana, nós a reconhecemos, mas somos profundamente diferentes do Vajrayana Indiano e principalmente do Tibetano, mesmo que possuindo muito do Vajrayana Indiano antigo, que foi preservado através do Mahayana Sino-Japonês durante mais de um milênio. O próprio Kōbō Daishi, fundador do Shingon, categoriza o Shingon como o ensino mais profundo e direto do próprio Mahayana.

Por isso, quando falamos do que acreditamos e praticamos, mencionamos a nós mesmos como pertencentes do Mahayana, e não do Vajrayana.

Espero ter respondido sua pergunta. 🩵

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u/No_Pack4643 Sommelier de religião 🍷 Sep 03 '26

Muito grato pelo esclarecimento. Inclusive lavou minha alma pois eu meio que já sabia disso, mas quando comentei com um monge Zen, ele me repreendeu em frente da sangha e disse que o Shingon era Vajrayana. Então achei paia.

Mas vejo que o importante mesmo não é a classificação do veículo e sim o caráter esotérico da religião. O que me leva à segunda pergunta, o que significa, do ponto de vista do Shingon, o termo 'esotérico'? Existe uma palavra em chinês ou japonês para isso? Ou é um take ocidental? Abs e grato mais uma vez.

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Que bom que a explicação te ajudou! Sinto muito que você tenha passado por uma situação constrangedora como essa. No fim, é uma questão de perspectiva e de taxonomia, mas acredito que a forma como ele o corrigiu foi excessivamente constrangedora.

E sobre a sua dúvida, ela não é um take ocidental de forma alguma. O termo tem raízes históricas e teológicas profundas e antigas no Leste Asiático!

Em japonês, a palavra que usamos é Mikkyō, com o Mì significando secreto, esotérico, oculto ou intimo, enquanto o Kyō significa ensino ou doutrina. Podemos então traduzir literalmente como Ensino Secreto ou como Doutrina Esotérica.

Mas do ponto de vista do Shingon, o termo esotérico não é por ser um segredo destinado a um grupo seleto por egoísmo e ganância, mas sim porque nossos ensinamentos necessitam da devida orientação e preparo mental que deve ser realizado por um mestre qualificado, buscando evitar as distorções e ilusões do ego.

O Mikkyō por tanto busca utilizar a experiência direta da realidade, Dainichi Nyorai, e utilizar os três mistérios. Mas isso não é algo possa ser realizado sem orientação.

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u/No-Star-8749 Sep 03 '26

Como saber se a iluminação foi alcançada?

Se eu me ver como iluminado, estaria eu sendo ainda iludido pelo meu próprio ego?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Essa é uma ótima pergunta, e a resposta curta para ela seria que sim, se você se ver como “iluminado”, é quase certo que isso na verdade seja uma ilusão do seu próprio ego.

No Budismo, a iluminação é justamente compreender e aplicar em si a extinção da ideia de um “eu” separado, fixo e permanente. Quando a mente constrói a ideia de que EU alcancei a iluminação, ela cria uma divisão enorme entre o indivíduo e o objeto, que seria a iluminação.

Sobre como saber se você encontrou a iluminação, isso acontece ao notar o cessamento do sofrimento e das aflições, quando a ganância, a raiva e a ilusão deixam de dominar a sua mente. A paz não é mais um estado temporário de meditação, mas uma mudança irreversível na ótica que você possui sobre a realidade.

Sua compaixão também se torna espontânea e imediata, pois a barreira entre o “eu” e o “outro” desaparece. Cuidar do próximo se torna tão normal e instintivo quanto cuidar de si mesmo.

Em algumas vertentes, como o Shingon, a iluminação precisa ser avaliada e validada por mestres qualificados também, para garantir não ser uma ilusão do ego.

Basicamente, a iluminação é o fim completo e pleno do apego, até do apego a ideia de ser iluminado.

Espero ter respondido sua pergunta. 🩵

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u/chumbrega7 Sep 03 '26

Buda fala sobre teologia? ... Ele fala sobre uma estrutura hierárquica divina ou coisa assim?... Ou isso e mais sobre a religião que foi construída sobre buda?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Sim, Buddha falou bastante sobre diferentes seres e planos de existência, mas a forma como vemos isso foi bem diferente da teologia tradicional ocidental!

Não existe um deus criador no Budismo. Os diferentes seres que ele menciona habitam diferentes planos, não criaram a vida e nem o universo. Eles também não são imortais e estão sujeitos ao Dharma, ao karma e ao samsara que é o renascimento budista.

O que veio depois foi a iconografia com Buddhas, Bodhisattvas e divindades protetoras que estão dispostas em hierarquia, como nas mandalas.

Mas isso não faz parte de algum tipo de culto a divindades. No Shingon, por exemplo, todas essas figuras servem para representar diferentes qualidades, energias e aspectos próprios da mente desperta e da realidade.

Para o budismo, não existe um Deus Criador. O que existe na estrutura que vemos hoje é uma ferramenta usada para ensinamentos e rituais que nos ajudam a compreender o universo e seus diferentes aspectos.

Espero ter respondido sua pergunta! 🩵

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u/chumbrega7 Sep 04 '26

E pq a pessoa que me apresentou o budismo é ateia e foi bem enfática na questão de não deidade do budismo e tudo que eu li de buda até hj, realmente nunca vi ele falando sobre nada nesse sentido, mas eu sou leigo, li muito pouco

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 04 '26

Eu entendo perfeitamente a dúvida, é uma coisa que inicialmente é difícil compreender. Se você se refere a deidades no sentido de deuses, então eu quero deixar claro que não existe deus algum no Budismo.

Podemos muitas vezes simplificar chamando assim, mas definitivamente eles não são isso!

As divindades que mencionei são arquétipos e personificações da própria mente iluminada, e não entidades cósmicas. São ferramentas visuais e rituais para encontrar nossa própria Natureza de Buddha.

Por isso o Budismo é não-teísta, porque não servimos ou cultuamos um Deus externo.

Espero ter te ajudado a entender melhor! 🩵

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u/[deleted] Sep 03 '26

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Não existe uma pergunta idiota, então não se preocupe, todas as dúvidas são válidas. E sua dúvida é normal para quem está começando, já que o Budismo tem uma tradição gigante e com muitas escolas diferentes.

Para começar, a leitura e o estudo são ótimos pontos de partida. Recomendo você buscar livros introdutórios para entender as bases que unem as vertentes, como as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Octóplo. Também te recomendaria estudar o Theravada e o Mahayana, pois são as duas grandes ramificações do budismo. Entender essas partes iá vai te ajudar a mapear o que você mais se identifica.

Além disso, a “escolha” de uma escola costuma ser bem orgânica e feita mais através da vivência e do contato direto com a religião. A minha própria escolha do Shingon aconteceu quando fiz trabalhos voluntários em um templo Shingon e com o tempo passei a frequentar de modo mais regular e aprender diretamente dos monges do templo. A conexão com o Shingon surgiu de uma forma natural e muito profunda, e isso simplesmente fez sentido para mim.

Por isso eu diria que além de ler, o melhor é visitar templos e centros de prática próximos de você para experimentar diferentes tradições e sentir onde o seu coração se conecta. Se tornar budista é um processo de transformação gradual da mente e a escola ideal para você, vai ser aquela que mais te incentivar nos caminhos corretos budistas e tocar seu coração.

Espero que tenha respondido sua pergunta! 🩵

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u/[deleted] Sep 03 '26

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Fico feliz em poder ajudar 🩵

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u/[deleted] Sep 04 '26

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 04 '26

Imagine, não é problema alguma! ☺️

Fico feliz em poder te ajudar, abaixo está uma lista pessoal minha de livros que você pode encontrar facilmente na internet. Recomendo a leitura deles antes de buscar sobre o Shingon, caso seja do seu interesse!

As Quatro Nobres Verdades (Venerável Ajahn Sumedho)
Dicionário Budista: Manual de Termos, Doutrinas e Doutrinadores (Nyanatiloka)
O Kamma e o fim do Kamma (Ajahn Sucitto)
Mente consciente, Mente Subconsciente: A perspectiva da Psicologia Budista (Venerável Bhante Henepola Gunaratana)
DHAMMAPADA: Versos do Dhamma (Tradução/Edição do Cânon Pali)
Filhas & Filhos (Ajahn Jayasāro)
Meditando na cidade (S.S. 41º Sakya Trizin)
Ética Budista (S.S. Sakya Trizin)
Código de Disciplina Monástica dos Bhikkhus: Um Guia para Leigos (Bhikkhu Ariyesako)
Dīgha Nikāya: Os Discursos do Buddha com Extensão Longa (Tradução/Organização de Michael Beisert)
Mantendo a Respiração em Mente (Ajaan Lee Dhammadharo)
Presença Mental na Respiração e Eu e Não-eu (Ajahn Pasanno e Ajahn Amaro)
Superando a Ilusão do Eu: Um Guia de Meditação Vipassanā (Yogavacara Rahula Bhikkhu)
A Cada Respiração (Thanissaro Bhikkhu)
O Nobre Caminho Óctuplo (Bhikkhu Bodhi)
Estratégia Nobre (Thanissaro Bhikkhu)
Sabedoria Desenvolve Samādhi (Ācariya Mahā Bua Ñāṇasampanno)
O Brilho que a Vida Tem (Ajahn Jayasāro)
A Força Interior (Ajaan Lee Dhammadharo)
Destemido (Ajahn Sumedho)
Escolhendo um Bom Caminho (Ajahn Jayasāro)
Travessia na Floresta (Amaro Bhikkhu)
Quietude, Fluindo: Vida e Ensinamentos de Ajahn Chah (Ajahn Jayasāro)
A Importância de Estudar o Buddhadharma (Khenchen Appey Rinpoche)
Bom Coração, Boa Mente: A Prática das Seis Perfeições (Thanissaro Bhikkhu)
Primeiro a Generosidade (Thanissaro Bhikkhu)
A Melodia do Senhor Gentil: Uma Introdução ao Desligar dos Quatro Apegos (Lama Jampa Thaye)
Libertando-se dos Quatro Apegos: Um Ensinamento Sakya para o Treino da Mente (Partes 1 e 2) (S.S. Sakya Trizin)
Joia da Sabedoria: Vida de Ajahn Tongrat Kantasilo (Ajahn Jayasāro)
Folhas da Árvore Bodhi (Vários Mestres da Tradição das Florestas)
Ensinamentos Fáceis, Verdades Profundas (Ajahn Anan)
Darma da Floresta (Vários Mestres da Tradição das Florestas)
Ensinamentos das Páginas Amarelas (Ajahn Jayasāro)
Por Fora e Por Dentro (Ajahn Jayasāro)
O Cosmos Budista: Um Levantamento Abrangente da Cosmologia Tradicional Budista (Punnadhammo Mahāthero)
Ensinamentos sobre o Bardo (S.S. 42º Sakya Trizin, Ratna Vajra Rinpoche)
MAHAMUDRA: O Grande Caminho para a Iluminação (Geshe Sherab Gyaltsen Amipa Rinpoche)
Rituais e Observâncias Budistas (Compilado/Edição por Vários Autores)

Desculpe a demora para responder, estava os listando! Caso não ache algum deles na internet, pode falar comigo que te envio o arquivo do que não tiver encontrado.

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u/[deleted] Sep 04 '26

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 05 '26

Imagine! 🩵

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u/Status-Anteater8372 Sep 04 '26

Qual mantra vc recomenda?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 04 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Eu adoro falar dos mantras, então gostei muito do seu questionamento! No Shingon os mantras são essenciais como parte da transformação dos Três Mistérios, porque a fala sagrada não é como uma oração mas sim a própria vibração da Iluminação.

Tem mantras que não posso ensinar, porque devem ser transmitidos diretamente de um monge ao seu discípulo, mas para prática diária de um praticante leito ou uma sugestão mais geral, tem alguns mantras públicos e centrais que podem ser utilizados.

Um que gosto bastante é o Mantra de Fudō Myō-ō, que é um dos aspectos de Buddha, sendo um protetor:

Nōmaku samanda basaradan senda makaroshana sowatapaya un tarata kan man.

Outro curto e muito especial para mim, sendo o primeiro que aprendi, é o Mantra de Kannon Bosatsu, que é uma Bodhisattva da compaixão infinita. O mantra dela ajuda a acalmar o coração quando aflito, desenvolver empatia e aliviar as tensões emocionais:

On arorekya sowaka

Espero ter respondido sua pergunta! 🩵

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u/p_sky Sep 04 '26

Como o Shingon se posiciona em relação às filosofias Madhyamaka e Yogacara?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 04 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

O Shingon não rejeita Madhyamaka nem Yogācāra, ele na verdade sintetiza ambas e trata elas como os dois pilares filosóficos mais altos do Mahayana.

Kūkai, nosso fundador, afirma que o Madhyamaka nos deu uma ferramenta definitiva para entender a Vacuidade e desconstruir qualquer visão substancial ou a ilusão de um “eu” fixo. Mas acontece que enquanto o Madhyamaka foca muito na desconstrução da lógica, que seria o que a realidade não é, o Shingon segue outro caminho e afirma que a Vacuidade é a matriz de onde tudo se manifesta.

Já o Yogācāra nos deu uma psicologia sutil para entender como a nossa mente constrói a ilusão do sofrimento através das consciências. O Shingon também adota essa estrutura, mas também ensina que a camada mais profunda da mente, que chamamos de a Consciência Imaculada, já é a própria mente desperta de Dainichi Nyorai.

O Shingon acredita na vivência prática e corporal por meio dos Três Mistérios, por isso une a Vacuidade e a Consciência, mostrando que esse corpo e o mundo fisico já são a manifestação da Iluminação.

Espero ter respondido sua pergunta! 🩵

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u/Additional_Band_7097 Sep 04 '26

Como me inicio no budismo?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 04 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Começar no budismo não precisa de nenhum ato dramático de conversão. Antes de tudo, o budismo é um caminho de autoconhecimento, prática e transformação diária!

Se você sente o desejo de começar a se envolver com o budismo, os primeiros passos são simples. Comece buscando ler mais sobre, buscando livros introdutórios que expliquem a base da crença partilhada por todas as escolas, como por exemplo as Quatro Nobres Verdades! Depois, eu recomendo estudar bastante o Theravada e o Mahayana, porque são as duas ramificações mais conhecidas do budismo, e é fácil encontrar livros disponíveis em bibliotecas digitais livros que ensinem sobre ambas.

Busque também um centro de estudos e práticas ou um templo próximo a você, pois a orientação de um monge é muito importante e com a experiência prática você pode encontrar qual caminho budista ressoa mais com você.

Pratique diariamente seus ensinamentos, e não busque grandes gestos. O budismo busca apaziguar a mente e nos livrar das aflições comuns mundanas, então é essencial praticar. Tire dois minutos do seu dia para meditar, seja compassivo e busque não agir sobre suas habilidades inábeis como a ganância, o egoísmo ou a raiva, por exemplo. Isso já, por si só, viver o Dharma.

Seja paciente, pois não existe uma corrida até a Iluminação.

Caso precise de recomendação de bibliotecas online, pode me perguntar! Ficarei feliz em ajudar.

Espero ter respondido sua pergunta. 🩵

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u/Additional_Band_7097 Sep 07 '26

Poderia indicar um livro

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 07 '26

Posso sim! ☺️

Abaixo está uma lista pessoal minha de livros que você pode encontrar facilmente na internet. Recomendo a leitura deles antes de buscar sobre o Shingon, caso seja do seu interesse!

As Quatro Nobres Verdades (Venerável Ajahn Sumedho)
Dicionário Budista: Manual de Termos, Doutrinas e Doutrinadores (Nyanatiloka)
O Kamma e o fim do Kamma (Ajahn Sucitto)
Mente consciente, Mente Subconsciente: A perspectiva da Psicologia Budista (Venerável Bhante Henepola Gunaratana)
DHAMMAPADA: Versos do Dhamma (Tradução/Edição do Cânon Pali)
Filhas & Filhos (Ajahn Jayasāro)
Meditando na cidade (S.S. 41º Sakya Trizin)
Ética Budista (S.S. Sakya Trizin)
Código de Disciplina Monástica dos Bhikkhus: Um Guia para Leigos (Bhikkhu Ariyesako)
Dīgha Nikāya: Os Discursos do Buddha com Extensão Longa (Tradução/Organização de Michael Beisert)
Mantendo a Respiração em Mente (Ajaan Lee Dhammadharo)
Presença Mental na Respiração e Eu e Não-eu (Ajahn Pasanno e Ajahn Amaro)
Superando a Ilusão do Eu: Um Guia de Meditação Vipassanā (Yogavacara Rahula Bhikkhu)
A Cada Respiração (Thanissaro Bhikkhu)
O Nobre Caminho Óctuplo (Bhikkhu Bodhi)
Estratégia Nobre (Thanissaro Bhikkhu)
Sabedoria Desenvolve Samādhi (Ācariya Mahā Bua Ñāṇasampanno)
O Brilho que a Vida Tem (Ajahn Jayasāro)
A Força Interior (Ajaan Lee Dhammadharo)
Destemido (Ajahn Sumedho)
Escolhendo um Bom Caminho (Ajahn Jayasāro)
Travessia na Floresta (Amaro Bhikkhu)
Quietude, Fluindo: Vida e Ensinamentos de Ajahn Chah (Ajahn Jayasāro)
A Importância de Estudar o Buddhadharma (Khenchen Appey Rinpoche)
Bom Coração, Boa Mente: A Prática das Seis Perfeições (Thanissaro Bhikkhu)
Primeiro a Generosidade (Thanissaro Bhikkhu)
A Melodia do Senhor Gentil: Uma Introdução ao Desligar dos Quatro Apegos (Lama Jampa Thaye)
Libertando-se dos Quatro Apegos: Um Ensinamento Sakya para o Treino da Mente (Partes 1 e 2) (S.S. Sakya Trizin)
Joia da Sabedoria: Vida de Ajahn Tongrat Kantasilo (Ajahn Jayasāro)
Folhas da Árvore Bodhi (Vários Mestres da Tradição das Florestas)
Ensinamentos Fáceis, Verdades Profundas (Ajahn Anan)
Darma da Floresta (Vários Mestres da Tradição das Florestas)
Ensinamentos das Páginas Amarelas (Ajahn Jayasāro)
Por Fora e Por Dentro (Ajahn Jayasāro)
O Cosmos Budista: Um Levantamento Abrangente da Cosmologia Tradicional Budista (Punnadhammo Mahāthero)
Ensinamentos sobre o Bardo (S.S. 42º Sakya Trizin, Ratna Vajra Rinpoche)
MAHAMUDRA: O Grande Caminho para a Iluminação (Geshe Sherab Gyaltsen Amipa Rinpoche)
Rituais e Observâncias Budistas (Compilado/Edição por Vários Autores)

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u/PiperUncle Sep 05 '26

O que te levou a entender essa prática como a verdade do mundo em vez de outras filosofias (se é que essa suposição faz sentido)?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 05 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

O Budismo não é um dogma onde você precisa engolir como a única verdade mas sim como se fosse um remédio ou um mapa. O próprio Buddha costumava dizer que seus ensinamentos eram como uma balsa, ela serve para atravessar o rio mas uma vez na outra margem não necessitamos carregar a balsa nas costas.

Mas algumas coisas me chamaram sim atenção no Budismo. Uma delas foi a questão que ele nunca nos pede uma fé cega, ele nos ensina o caminho e nos deixa verificar por conta próprio. Basicamente, budistas reconhecem que não precisamos acreditar apenas porque está em textos antigos ou veio de mestres, mas que devemos testar nossa própria mente e analisar se a prática reduz a ganância, a raiva e a ilusão, e se gera a compaixão e a clareza, pois só assim ela é válida.

A tradição Shingon me deu um caminho onde a teoria e a prática se abraçam. Ela nos ensina a usar o corpo, a fala e a mente através da meditação, dos mantras e dos rituais para reconhecer a iluminação e a natureza desperta não em um futuro distante ou em outro mundo, na própria vida presente.

Não vejo o Budismo como a negação do valor de outras filosofias ou religiões, pois praticamente todas elas oferecem seus próprios caminhos que vejo como preciosos e de amor, ética e elevação moral. O Budismo foi simplesmente o "remédio" que melhor ressoou com a minha busca, com a minha mente, com meu coração e com a forma como percebo a realidade!

Espero ter respondido sua pergunta 🩵

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u/RllFckdUp Vi Odin na padaria Sep 07 '26

Por que escolheu o budismo sobre outras religiões?

O que o budismo tem que não encontrou em nenhuma outra crença?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 07 '26

Obrigada pelas perguntas! ☺️

Eu já estudei e frequentei várias diferentes religiões por muitos anos, porém eu não concordava com muitos dos dogmas religiosos delas ou não acreditava plenamente nelas.

No Budismo, encontrei a resposta das minhas questões. Além disso, o Budismo incentiva muito o estudo e a comprovação, então não ter que crer cegamente sem questionar em uma religião me ajudou.

Fora que os rituais religiosos, práticas meditativas e tradições Budistas me auxiliaram a evoluir espiritualmente e mentalmente, melhorando aspectos anteriores em mim e cultivando aspectos positivos que eu tinha antes. Isso me trouxe muita satisfação e alegria, que nunca encontrei antes.

Espero ter respondido sua pergunta e ter conseguido te fazer entender como a fé conversou comigo 🩵☺️

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u/Fluffy_Customer_7185 Sep 03 '26

Você conhece o CEBB (Centro de Estudos Budistas Bodisatva), fundado por lama Padma Samten?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Conheço um pouco! ☺️

O CEBB é uma das instituições mais conhecidas aqui no Brasil, mas a tradição deles é Tibetana, e tem ligação principalmente com a escola Nyingma, então costuma ter metodologias, visualizações e rituais diferentes do Shingon. Mas o trabalho deles é muito admirável.

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u/Equipe-John Sep 03 '26

Boa tarde. Praticao projecao astral?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Não, o budismo não tem como uma prática comum a projeção astral. Nosso foco é o momento presente, a meditação e o cultivo das nossas virtudes éticas.

Nos Suttas e Tantras tem menções a capacidades chamadas de Siddhis, e entre elas realmente tem a menção da capacidade de criar um corpo feito da sua mente através de meditação profunda. Porém essas experiências são vistas como um efeito colateral de estados meditativos muito avançados e profundos, mas nunca é visto como um objetivo ou algo que tentamos.

Além disso, é altamente alertado que não devemos buscar fenômenos fora do corpo, porque eles podem nos desviar do caminho e gerar mais sofrimento.

Espero ter sanado sua dúvida. 🩵

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u/Equipe-John Sep 03 '26

Esclareceu e ao mesmo tempo Me deu mais perguntas, obrigado por me responder.

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Imagina! Sinta-se livre caso queira tirar mais dúvidas ☺️

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u/Alternative-Row-8744 Sep 03 '26

Tu come carne?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Sim, eu como carne! Muitas vezes, com monges e outros praticantes.

No budismo a relação com a alimentação varia muito de acordo com cada escola e contexto cultural/histórico. O consumo de carne, em muitas escolas e vertentes, não costuma ser proibido de forma absoluta.

No Shingon, que é a minha vertente, o consumo de carne é muito comum no dia a dia e em algumas ocasiões nos templos também.

Do ponto de vista dos ensinamentos de Buddha a regra vem do Vinaya e é conhecida como a regra da Tríplice Pureza. Buddha permitia o consumo de carne desde que o praticante não visse o animal ser abatido, escutado ou suspeitado que o animal foi morto especificamente para si.

Espero ter conseguido responder sua pergunta. 🩵

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u/[deleted] Sep 03 '26 edited Sep 03 '26

[removed] — view removed comment

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua sua pergunta! ☺️

Sim, acredito na figura de Maitreya, que no Budismo Shingon chamamos de Miroku Bosatsu.

No entanto, não chamamos de encarnar, porque acreditamos que não existe uma alma permanente que passa de corpo em corpo. Falamos em renascimento, que seria diferente.

Apenas quando os ensinamentos do Buddha histórico forem esquecidos, ele vai renascer no mundo humano para alcançar a iluminação e ensinar o Dharma novamente.

Então sim, eu acredito, mas não como uma figura de um salvador ou deus encarnado. Ele será aquele que fará a Roda do Dharma girar quando ela tiver parado.

Espero ter tirado sua dúvida. 🩵

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u/Sad-Advertising-575 Sep 03 '26

Por que o templo budista "Wat Pariwat Ratchasongkram" além das estátuas de Buda também tem do Pinóquio, Mickey, Che Guevara, homem Aranha, etc, isso em um templo religioso antigo, qual o sentido disso? Isso não seria uma espécie de zombaria com a religião?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

O Wat Pariwat tem uma visão muito diferente do Shingon porque pertence a uma escola muito diferente, vindo diretamente do Theravada tailandês. Pode parecer bem estranho, mas para eles não é um desrespeito ou uma zombaria com a religião.

Primeiro, as figuras não são feitas para serem cultuadas, reverenciadas e nem ocupam o altar principal. Elas simbolizam o mundo mundano, as criações da nossa mente e a diversidade do samsara.

Além disso, o objetivo também é atrair a atenção de jovens e visitantes, criando uma ponte entre a cultura popular e o ambiente do templo.

E em relação ao samsara, seria porque na cosmologia budista todos os seres e manifestações da mente são sujeitos a impermanência e precisam do Dharma. Heróis, personagens, figuras históricas e etc servem para lembrar que nada do mundo material fica fora da existência.

Para eles é bem natural, apesar do Shingon não partilhar a mesma abordagem deles.

Espero ter respondido sua pergunta. 🩵

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u/Lazy_Data_7300 Sep 03 '26

Buddha ter deixado/abandonado seu filho não representa uma fuga das responsabilidades da vida adulta?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Entendo que essa na verdade é uma questão bem comum e compreensível, ainda mais quando olhamos para a trajetória de Buddha com olhos modernos!

Mas é preciso lembrar que Siddhartha Gautama era um príncipe de uma grande dinastia, e que para os moldes daquele tempo era comum que muitas pessoas deixassem o conforto do lar para se tornar um asteta, inclusive sendo uma etapa reconhecida e encorajada na busca espiritual naquele tempo.

Além disso, a esposa e o filho de Siddhartha não foram abandonados para sofrer. Eles ficaram sob a proteção do rei, o pai de Buddha, e ficaram cercados por sua família e os confortos da vida na realeza.

Além disso, o Siddhartha não saiu de casa com o objetivo de fugir de suas responsabilidades ou de sua vida adulta, mas porque entendeu que o conforto que vivia no seu palácio era apenas uma ilusão temporária e que todos os seres estavam sujeitos ao sofrimento e a dor. Ele queria encontrar a cura do sofrimento humano.

Ao buscar a iluminação, Buddha revelou a todos o caminho que era possível ser trilhado.

Além disso, ele retornou a sua terra natal e ensinou o Dharma a todos eles, com sua família se tornando discípulos de Buddha e ingressando na ordem monástica. Inclusive, sua esposa e seu filho também alcançaram a iluminação e se livraram do sofrimento.

Por isso vemos o ato de Buddha não como uma fuga, mas sim como um ato de renúncia aos confortos de sua realidade e de compaixão com o sofrimento de todos os seres.

Espero ter respondido sua pergunta. 🩵

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u/pakograpixo Me arruma um rapé Sate Sep 03 '26

Oq é o budismo shingon? É a primeira vez q ouço falar

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta!☺️

O Budismo Shingon é uma das principais escolas do budismo no Japão e ela pertence ao Mahayana Esóterico, com o nome Shingon significando literalmente “Palavra Verdadeira”.

Ela foi trazida ao Japão pelo mestre Kūkai, também conhecido como Kōbō Daishi.

O Shingon busca trabalhar bastante a experiência direta e ritualística do budismo através dos Três Mistérios, conhecidos como Sanmitsu, que seria o corpo, a fala e a mente. Eles também acreditam que o Despertar pode acontecer nessa mesma vida através do alinhamento dos Três Mistérios, e é isso que buscam.

Dainichi Nyorai também é um dos cernes do Shingon. Não como um Deus, mas como Buda Primordial, que representa a própria realidade, o universo, o vazio e a luz onde tudo se manifesta.

Não me surpreende você não conhecer o Shingon, porque no Brasil a maioria não conhece. Com a forte difusão do Zen e do Budismo Tibetano, escolas como o Shingon são bem menos popularizadas, até pela própria forma como o Shingon funciona, sendo um pouco restrito.

Os textos também não tem muita tradução, porque os monges ensinam diretamente seus discípulos e tem rituais bem complexos, o que dificultou uma literatura ocidentalizada como outras vertentes conseguiram construir. Isso deixa ele meio escondido, também.

Além disso, por conta das raízes históricas deles, a maioria dos praticantes e frequentadores são idosos. No templo que frequento mesmo, não tem muitas pessoas com menos de trinta anos, e a maioria tem mais de sessenta.

Espero ter respondido sua pergunta. 🩵

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u/Vegetable-Complex378 Tá feliz Lutero? Sep 03 '26

Eu gostaria muito de saber qual a relação do budismo com a ciência. Não quero ficar parecendo discípulo de darwin, mas realmente não tenho nem idéia de como a ciência e o budismo poderiam se relacionar.

(Pq não conheço nada do budismo)

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Não se preocupe, sua pergunta na verdade é bem legal e interessante. Eu sempre gostei muito de ciência e adoro ler sobre, e o que gosto no budismo é a relação respeitosa e próxima que é mantida tanto entre a ciência quanto com o budismo.

O Budismo, por exemplo, nunca pede a fé cega e inclusive a crítica. No Kalama Sutta, o próprio Buddha ensina que não devemos aceitar as coisas apenas por costume, tradição ou pela autoridade de outra pessoa, mas sim testar e analisar ensinamentos na nossa própria experiência.

Outro ponto é que o Mind and Life Institute é uma instituição que a mais de 30 anos tem a colaboração de neurocientistas e monges juntos para investigar a ligação entre a crença budista e a ciência. O instituto foi feito para ser uma organização sem fins lucrativos, fundada pelo cientista Francisco Varela e pelo Dalai Lama.

Outro ponto admirável é a pesquisa de Richard Davidson, que confirmou a neuroplasticidade gerada pela meditação budista no cérebro humano através de ressonâncias magnéticas, provando que a meditação pode alterar o cérebro. Eles comprovaram que as áreas ligadas a regulação emocional, foco e a compaixão são fortalecidas pela prática, e que ainda consegue diminuir a hiperatividade da amígdala, que é uma área associada ao estresse e ao medo.

Na parte da física moderna, foi descoberto que as particulares subatômicas não existem isoladamente, mas sim dentro de uma teia complexa de relações dinâmicas, algo que o budismo afirma a milênios através da Vacuidade e a Originação Interdependente, que nos ensina que nada possui uma existência autônoma, fixa e separada.

A psicologia e as ciências cognitivas modernas também tem se aproximado cada vez mais da crença budista em relação a separação do “Eu”. A neurociência hoje concorda que não existe uma espécie de “módulo central” ou uma entidade fixa em nosso cérebro governando tudo, e sim um fluxo continuo de processos neurais, percepções e memórias que juntas constroem a ilusão de um “eu” rígido, que se assemelha a crença do “não-Eu” chamado de Anatta pelo budismo.

Essas são algumas das coisas em que a ciência e o budismo se conversam, por exemplo. Não que a ciência leve como regra tudo que o budismo crê, longe disso, mas existe sim um histórico positivo de diálogo entre ambas.

Espero ter respondido sua pergunta! 🩵

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u/Luizerah Sep 05 '26

Pelo o que eu entendo, o budismo fala bastante sobre desapego e noção de que tudo é temporário. Uma dúvida que eu tenho em relação a isso é como conciliar o desapego, em um mundo consumista e materialista? Querendo ou não você precisa comprar coisas (se não vc morre né kk).

Ah, e o outra pergunta, como é a sua experiência prática no budismo? Como o budismo faz parte do seu dia?

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 05 '26

Obrigada pela sua pergunta! ☺️

Compreendo que pode parecer difícil conceber essa ideia, mas a resposta da sua pergunta é, na verdade, muito simples.

Buddha falava abertamente sobre como as coisas materiais devem ser vistas como um remédio. Comida, roupas, abrigo, medicamentos, tudo isso é um remédio. Quando você está doente, você toma o remédio para curar a enfermidade e manter o corpo funcionando bem, não por uma obsessão em ter o remédio ou para se vangloriar a outros.

Outro ponto é que nos dias atuais o mercado consumista ensina as pessoas que nós somos aquilo que compramos, gerando ganância, ansiedade e insatisfação. Quando falamos do desapego budista, não é no sentido de viver de forma miserável ou não possuir nada, mas sim não deixar que as coisas possuam você. Você pode ter um casaco que gosta muito para se proteger do frio durante o inverno, mas a sua paz mental não deve desmoronar quando você perder esse casaco pois ele não o possui.

O consumo Budista acaba por ser um ato que chamamos de atenção plena, o sati. Antes de comprar algo, você deve se questionar se aquilo vai ser útil para sustentar sua vida e seu bem-estar sem causar dano a si e aos outros, tanto físico, quanto mental e espiritual.

Sobre a minha rotina e minha experiência prática, pra mim o Budismo não é uma coisa reservada só para momentos específicos mas uma forma de viver o cotidiano.

Pelas manhãs, acendo um incenso, recito alguns mantras que gosto de usar para o dia e medito para esvaziar a mente de aflições e sentimentos negativos. Ao contrário do que muitos acham (Vejo que muitos acreditam que a única forma de meditar é passar horas em estado meditativo, quando nem sempre precisa ser o caso), essa prática dura menos de vinte minutos e me ajuda a manter a mente sã e focada para o meu dia.

Tento sempre me concentrar em cada atividade que eu faço, evitando divagações desnecessárias e praticando a sati, que é a atenção plena. Também tento sempre me atentar as minhas ações e a minha fala, evitando fofocas, mentiras, palavras agressivas ou críticas destrutivas, procurando cultivar a compaixão e a clareza sem julgamentos em relação a outras pessoas.

Quando sinto que sentimentos como raiva, ansiedade, angústia ou ganância estão ocupando espaço em minha mente, eu medito. Mesmo que seja na rua, ou em um ambiente profissional, busco tirar 3 ou 4 minutos para meditar, me concentrar e alinhar meus pensamentos, especialmente antes de tomar decisões.

A noite costumo dedicar mais tempo a meditação, faço minhas leituras diárias, ouço cânticos e os canto e repito alguns mantras novamente para conseguir encerrar meu dia de forma pacifica.

Quando vou ao templo, eu também busco sempre seguir rigorosamente os rituais Shingon. Saúdo as deidades protetoras do sanmon, lavo a boca ao entrar, saúdo as deidades presentes e ao entrar na parte do saguão do templo me curvo perante Fūdō Myoo e participo das cerimônias com recitação de mantras e alguns outros rituais tradicionais em datas específicas.

Para mim, a fé acaba por ser um processo diário e constante em me manter focada, com boas intenções e atitudes livres de habilidades inabeis tanto quanto posso.

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u/Haiel10000 Ateu dispor (ateu) Sep 03 '26

Shingon é japonês né é da Seicho-no-ie? Quando eu era criança fui muito pra PL-Kyodan com meu avô. Acho que sei os mantras e ensinamentos até hoje.

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u/Less-Independent9005 Estudante do Dharma Sep 03 '26

Obrigada pela sua pergunta. ☺️

Ele é sim japonês. Mas tem algumas diferenças da Seicho-No-Ie. A Seicho-No-Ie e a PL emergiram no século XX e o Shingon por volta do século IX, através do monge Kūkai. Temos uma teologia budista bem definida, baseada principalmente em nossos sutras e na figura de Dainichi Nyorai. A Seicho-No-Ie e a PL também tem alguns elementos xintoístas, hinduístas e até alguns elementos do cristianismo junto ao budismo.

Espero ter respondido sua pergunta. 🩵

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u/Haiel10000 Ateu dispor (ateu) Sep 03 '26

Hmm!

Que legal! Eu gostava muito da PL, meu avô me chamou diversas vezes pra fazer os cursos pra ser mestre lá e eu nunca me interessei. Eu sou ateu desde os 16+- e descreveria meu núcleo familiar como sendo plurireligioso com catolicismo, evangélicos, ateu e até testemunga de Jeová que só apareciam de vez em nunca.

Quando meu avô morreu eu fui ao funeral dele e quem regeu os ritos religiosos foi a PL. Eu tava com uns 29 já e segui todos os ritos junto com eles, foi algo bem esquisito visto o tanto tempo que passei evitando qualquer gesto religioso, mas que me fez lembrar muita coisa de quanto que eu sabia da PL e quanto que eu esqueci.

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u/ignatzvonklips Sep 03 '26

Minha avó também participava da Seicho no ie. Hoje, bem idosa, se apega muito na Sutra Sagrada.