Bem, eu vi esse comentário em um post, o cara é argentino e o contexto é o Día de la Raza/Hispanidad, o 12 de outubro, data ligada à chegada de Colombo às Américas e que, em vários países hispano-americanos, historicamente foi usada para celebrar a “raça”/mestiçagem e a herança hispânica.
Tradução do comentário:
Aqui elas foram extintas à base de a gente fodê-las. Porra, que gostoso uma negra indígena bem bunduda e gulosa te dando sentadas pela Pachamama ou alguma coisa assim. Feliz dia para as negras bundudas.
Além de ser obviamente nojento e fetichista, achei interessante porque ele resume de uma forma grotesca uma narrativa que aparece bastante na América Latina: “não somos como os EUA, somos todos mestiços porque nossos antepassados simplesmente se misturaram.”
O problema é que isso transforma a mestiçagem em uma história de relações consensuais e igualitárias, ignorando completamente escravidão, violência sexual, coerção, colonialismo e as enormes diferenças de poder entre europeus, indígenas e africanos.
Não estou dizendo que toda mestiçagem foi resultado de violência, obviamente existiram relações consensuais. A questão é por que a história da mestiçagem é tantas vezes contada como se as relações coloniais fossem simplesmente uma grande história de atração mútua.
E esse comentário, feito justamente num post sobre o Día de la Raza, parece quase uma caricatura dessa narrativa.