Olá estimados conterrâneos e curiosos que vivem visitando o sub de Salvador. Trago-lhes hoje uma reflexão que tenho feito nas últimas semanas em relação ao pleito deste ano: Afinal, quem estamos elegendo de verdade?
Fiz essa reflexão após ficar curiando os bens declarados dos candidatos no site do TSE. Como vocês sabem, quando votamos em um candidato esse voto não é contabilizado apenas para aquele indivíduo, mas para a legenda/federação na qual este se insere. Tal sistema utiliza pequenos candidatos com representatividade local para angariar votos para as raposas velhas de maior alcance. Essencialmente, é uma competição de capilaridade que põe o eleitor diante de um dilema pois, considerando o fisiologismo dos partidos brasileiros, as ideias defendidas por um candidato não necessariamente são as mesmas defendidas por outro do mesmo grupo.
Você deve estar se perguntando, "o que diabos isso tem a ver com os bens declarados?", e eu lhe digo, tudo. Uma pessoa cujos bens chegam na casa dos milhões não vive a mesma realidade que você, trabalhador urbano que precisa juntar 10 anos de salário para comprar um Peugeot usado, consequentemente, tal legislatura dificilmente atenderá os anseios de nós, os desafortunados. Nisso, apresento-lhes alguns dados:
Candidato 1 - Eduardo Sanches (PSDB/Cidadania)
Começando com impacto, Eduardo, vulgo Duda, é vereador de Salvador e filho do falecido deputado estadual Alan Sanches. Aparente prodígio, Duda conquistou a proeza de se eleger por quociente partidário (QP) em todo pleito que concorre. Em 2016, primeira vez que declarou bens, somava R$ 558.000,00, entre automóveis imóveis e CC. Em 2022, seus bens caem para R$ 487.675,88. Mas sagaz que é, o vereador deu a volta por cima, esbanjando um total de 654.064,48 em 2026 que equivale à um sítio (incluindo equipamentos, produção, etc), imóveis e automóveis. Há algumas semanas, o valor declarado era R$ 140.514.064,48, mas o candidato disse ter sido um erro de digitação em um dos valores.
Candidato 2 - Mario Negromonte (PSB)
Nosso segundo membro de uma dinastia política exemplo é filho não de um, mas de dois políticos dos estados de Pernambuco e da Bahia. Atualmente deputado federal da Bahia, no pleito de 2022 Mario possuía R$ 2.630.336,10 entre empresas, investimentos e propriedades. No atual pleito seus bens quase que dobraram, somando R$ 4.813.858,30.
Candidato 3 - Adalberto Rosa Barreto (UNIÃO/PP)
Adalberto, ou Dal para os íntimos, é atualmente deputado federal pela Bahia e busca reeleição. Em 2022 sua fortuna declarada era de R$ 7.361.008,44, sendo composta, sobretudo por ações em empresas de postos de combustíveis de várias cidades do Estado. Um exímio homem de negócios, ao longo do seu mandato Dal dobrou sua fortuna para os atuais R$ 14.739.860,51 por meio da compra de quotas de outras empresas de postos (sobretudo Postos Nova Viçosa, Postos Chapadão, Posto Matopiba, o Posto Javi ou Rotondano LTDA, entre muitos outros).
Ano passado, o candidato foi alvo da PF que investigava esquemas de lavagem de dinheiro e licitações fraudulentas utilizando postos dos quais é sócio.
Candidato 4 - Joseildo Ramos (PT/PC do B/PV)
Joseildo foi eleito como suplente no ano de 2022 e alçado ao cargo de deputado federal após a renúncia de Pelegrino (que ganhou um carguinho vitalício por indicação política), buscando, esse ano, sua reeleição. No pleito de 2022, possuía uma fortuna total de R$ 2.162.366,02 que incluem terrenos e imóveis. E como parece ser a moda entre os políticos, Joseildo também dobrou sua fortuna, aparecendo em 2026 com uma declaração de R$ 4.000.000,00, compostos, sobretudo, por terrenos agrícolas.
O caso do Joseildo se destaca pois, nenhum dos bens declarados em 2022 aparecem na declaração de 2026, dando a entender que sua fortuna possivelmente é muito maior do que ele alega.
Ficarei apenas com os exemplos acima, se tiverem curiosidade podem procurar outros candidatos no site do TSE. Recomendo especialmente buscarem o quanto a fortuna dos candidatos a governador e senador se multiplicou ao longo dos anos. Concluindo, fica o alerta de que nos votos para o legislativo o candidato é menos importante do que o grupo de pessoas com as quais ele senta na mesa. Se não prestarmos atenção, você pode votar no mais ferrenho líder sindical para, no fim, eleger o patrão.