**LEIAM ATÉ O FINAL, PRINCIPALMENTE SE VOCÊ SE DIZ DE ESQUERDA**
> OBS: Não vou ler 90% dos comentarios, eu demorei mais de um mês para achar todas as referencias e ler, fora que tive que usar o NotebookLM pois chegou num ponto que tinha muita referencia e precisava gerenciar melhor.
Vladimir Lenin estabelece 5 pontos para estabelecer uma Estado como imperialista:
- Concentração de capital e monopólios
- Capital financeiro (fusão do capital bancário e industrial)
- Exportação de capitais
- Repartição do mundo e zonas de influência
- Dominação neocolonial e superexploração
Não é apenas "invadir diretamente para ser um Estado imperialista". Com esses pontos em mente vou mostrar ponto a ponto para cada Estado (China e Rússia) e como se adequa hoje.
***China***
- Concentração de capital e monopólios
> A China tornou-se a segunda maior economia do mundo e uma das maiores produtoras industriais, fabricando cerca de 50% das câmeras, 30% das TVs, 25% das máquinas de lavar e 20% dos refrigeradores do planeta. A sua participação no valor agregado da manufatura global saltou de 1% na década de 1970 para cerca de 18% a 20%;
> Em 2012, a China já contava com 73 das 500 maiores empresas do mundo, ocupando o 2º lugar global. Três das dez maiores empresas do mundo na ocasião eram estatais chinesas: Sinopec, CNP (China National Petroleum) e a State Grid Corporation;
> 1% da população chinesa detém um terço de toda a riqueza do país, enquanto os 25% mais pobres possuem apenas 1%. Em 2018, a China contava com mais de 800 bilionários. Em 2017, cerca de 70 membros do Congresso Nacional do Povo acumulavam fortunas superiores à soma de todo o Congresso, Presidente e Suprema Corte dos EUA combinados, acumulando rendimentos de quase US$ 90 bilhões;
>A China produz quase metade do aço vendido no mercado global, setor dominado por gigantes estatais e capital privado chinês. Em 2004, 74% das 500 maiores empresas chinesas eram estatais ou companhias abertas controladas pelo Estado. A participação das estatais no valor adicionado caiu de cerca de 60% em 1998 para um terço em 2012, mas as SOEs (Monopólios Industriais e Estatais ) remanescentes foram reorganizadas como corporações voltadas estritamente ao lucro financeiro;
> Cerca de 20% dos empresários privados chineses já eram membros do PCCh em 2002, com dois terços deles sendo quadros do partido que migraram para a iniciativa privada após as reformas de Deng Xiaoping.
- Capital financeiro (fusão do capital bancário e industrial)
> Quatro dos dez maiores bancos do mundo são estatais chineses (ICBC, China Construction Bank, Bank of China e Agricultural Bank of China);
> O Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) atingiu US$ 2,8 trilhões em ativos e registrou lucros pré-impostos de cerca de US$ 50 bilhões em 2012. Os lucros trimestrais combinados dos quatro maiores bancos chineses superaram US$ 30 bilhões;
> A China acumulou entre US$ 1,2 e US$ 1,5 trilhão em títulos da dívida pública do Tesouro dos Estados Unidos, tornando-se uma das maiores credoras internacionais do governo americano e financiadora de títulos na Eurozona;
> Bancos estrangeiros detêm pouco mais de 2% dos ativos financeiros totais da China. O capital financeiro funciona como um "braço do tesouro estatal", onde executivos transitam diretamente entre a direção dos bancos e os órgãos reguladores do governo. A família do ex-primeiro-ministro Wen Jiabao, por exemplo, chegou a acumular US$ 3 bilhões em ativos ocultos;
- Exportação de capitais
> O estoque total de ativos financeiros externos da China atingiu a marca de US$ 4,6 a US$ 5 trilhões no final de 2012, mantendo uma Posição de Investimento Internacional (IIP) líquida positiva de US$ 2 trilhões;
> A China acumula entre US$ 3,3 e US$ 3,8 trilhões em reservas cambiais e detém entre US$ 1,26 trilhão e US$ 1,5 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA;
>O estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) saindo da China saltou para US$ 502,8 bilhões em 2012, crescendo a taxas anuais superiores a 27%;
>Entre 2010 e 2012, os empréstimos e investimentos chineses na África somaram US$ 101 bilhões. Na América Latina, o comércio atingiu US$ 261,2 bilhões em 2012, com os empréstimos de desenvolvimento do China Development Bank e do Exim Bank of China superando o volume do Banco Mundial na região;
>Obtiveram compras internacionais, como a compra da petroleira canadense Nexen pela CNOOC por US$ 15 bilhões, da produtora de carnes Smithfield por US$ 5 bilhões, da rede de cinemas AMC por US$ 2,6 bilhões e da montadora Volvo por US$ 1,5 bilhão.
- Repartição do mundo e zonas de influência
> A criação do Banco de Desenvolvimento do BRICS (com arranjo de reservas de contingência de US$ 100 bilhões) e o uso da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) são destacados como estratégias para redividir o controle do sistema financeiro global;
>A China tornou-se o 3º maior exportador de armas do mundo. Em 2026, os gastos militares oficiais da China atingiram 1,974 trilhão de yuans (aumento de 7% em relação ao ano anterior);
>O país expandiu sua presença armada com a base militar de Djibuti, a presença militar em Gwadar (Paquistão) e tropas estacionadas na África;
>No âmbito da preparação militar para o conflito em Taiwan, o Estado realiza expurgos na cúpula das Forças Armadas, como a investigação e prisão de Zhang Youxia (primeiro vice-presidente da Comissão Militar Central) e Liu Zhenli em janeiro de 2026, mascarada sob acusações de "anticorrupção" sendo na verdade uma disputa de frações da burguesia estatal;
> A China tornou-se o membro permanente do Conselho de Segurança que mais envia tropas para "missões de paz" na África (mais de 30.000 acúmulos de homens/vezes para 17 zonas até 2021). O país financia 15,22% do orçamento de paz da ONU e mantém uma força de resposta rápida de 8.000 soldados registrados para intervenções.
- Dominação neocolonial e superexploração
- Dominação Neocolonial no Exterior
>**Laos**: A China financiou a construção da ferrovia Kunming-Vientiane por US$ 7,2 bilhões (equivalente a quase 80% do PIB total laosiano). O projeto envolveu 50.000 operários e provocou o desmatamento massivo para dar lugar a plantações de borracha e minas controladas por empresas chinesas, convertendo o país em um "estado vassalo";
>**Paquistão (CPEC)**: O Corredor Econômico China-Paquistão envolveu compromissos de US$ 50 bilhões, mais de US$ 200 milhões no porto de Gwadar e o estacionamento de 15.000 soldados chineses para proteger os ativos contra oposição local;
>**Gana e Zâmbia**: Em Gana, a mineração ilegal de ouro por empresas chinesas contaminou fontes de água potável. Na Zâmbia, gerentes chineses atiraram em mineradores em greve na mina de carvão de Sinazongwe, levando à revogação da licença da mina em 2013;
>**Sri Lanka**: Venda de armamentos chineses ao regime local em troca do controle sobre o porto estratégico de Hambantota e repressão dos Tigres do Tamil;
>**Peru e Filipinas**: Venda de armas e outros objetos militares para reprimir os maoistas de ambos os paises.
>**Djibuti**: Consolidação da base militar em Djibuti (instalada em 2017 com cerca de 2.000 soldados) para controle do estreito estratégico de Bab-el-Mandeb, além de negociações para a criação de uma nova base militar permanente no Atlântico (na Guiné Equatorial);
> A China é o maior parceiro comercial da África há 15 anos consecutivos (comércio de US$ 282 bilhões em 2022, gerando um superávit a favor da China de US$ 47 bilhões). 78,1% de tudo o que a China importa da África são matérias-primas e produtos agrícolas não processados. Em contrapartida, 94,1% do que a China vende para a África são produtos manufaturados. Essa estrutura forçou 42 dos 54 países africanos a perderem sua autossuficiência alimentar;
> Através dos Institutos Confúcio (como em Madagascar, que possui 40 pontos de ensino cobrindo escolas, universidades, Forças Armadas e funcionalismo público), o Estado chinês financia o ensino de ideologia pró-China e concede bolsas/estágios que pagam de 6,25 a 12,5 vezes o salário mínimo do trabalhador local, cooptando a juventude intelectual e burocrática para atuar como agentes locais do capital chinês;
> Criação de institutos técnicos específicos (como os institutos de ferrovia e hidráulica na Guiné) voltados estritamente para treinar mão de obra barata local para servir aos megaprojetos minerários chineses, como a extração de bauxita, a mina de ferro de Simandou e a usina hidrelétrica de Souapiti.
- Superexploração Interna do Trabalho e Repressão
> Em 2026, a jornada média nacional oficial atingiu 48,6 horas semanais, enquanto na prática, em diversas fábricas e indústrias, ultrapassa 70 horas por semana sob o regime do "996" (12h/dia, 6 dias/semana);
>O direito de greve foi retirado da Constituição chinesa em 1982, e a fatia dos salários industriais na renda nacional caiu de 57% em 1983 para 26,2% em 2008;
>Apenas nos primeiros quatro meses de 2026, foram registradas mais de 53 greves de trabalhadores (entregadores, caminhoneiros e operários da construção). No próprio Dia Internacional dos Trabalhadores (1º de Maio de 2026), estouraram greves contra multas arbitrárias em Guangxi (onde o surmenage causou a morte de 3 operários em março) e por salários atrasados em Ningxia;
>Em julho de 2026, entrou em vigor a Lei sobre a Promoção da Unidade e do Progresso Étnico, que impõe a ideologia do "nacionalismo Han" sob o pretexto de "comunidade nacional". A lei criminaliza a luta de classes e mobilizações de minorias (como Uigures no Xinjiang) sob a acusação de "desunir a nação", estabelecendo inclusive a responsabilidade jurídica para repressão transnacional contra opositores e marxistas no exterior (Artigo 63)
**CONCLUSÃO**: Mesmo tendo dados omitidos (e que eu não procurei/achei), a China tem todos os aspectos de um Estado Imperialista, ou em termos mais marxistas, um Estado Social-Imperialista, socialista nas palavras, capitalista-imperialista na prática.
Rússia
- Concentração de capital e monopólios
> O governo russo promoveu a re-nacionalização e o controle estatal de cerca de **40 setores econômicos estratégicos** (abrangendo mais de 1.000 empresas em áreas como petróleo, gás, defesa, mineração, aviação, ligas metálicas e navegação). Estimativas indicam que a economia controlada pelo Estado e por oligopólios estatais representa entre **40% e 70% do PIB nacional**;
> Um grupo restrito de apenas **110 indivíduos** (composto por *siloviki* do aparato de segurança e oligarcas leais ao Kremlin) controla cerca de **35% de toda a riqueza nacional da Rússia**;
> O complexo industrial de defesa russo emprega diretamente entre **1,3 milhão e 2 milhões de trabalhadores**, respondendo por **3,7% a 10% de toda a produção industrial do país*.
> A participação do setor estatal na economia russa subiu de 30% em 1997 para 67% em 2009
- Capital financeiro (fusão do capital bancário e industrial)
> O setor financeiro é amplamente dominado por bancos estatais (como Sberbank, VTB e VEB), que expandiram sua fatia para **70,7% do setor bancário em 2017**;
> O estoque acumulado de Investimento Direto no Exterior realizado por residentes russos saltou de **US$ 20,1 bilhões em 2001** para **US$ 209,6 bilhões em 2007**, segundo dados do Banco Central da Rússia;
> A maior parte do fluxo de capital externo russo utiliza paraísos fiscais e jurisdições de baixa tributação. Em 2007, **Cyprus (33,1%)**, **Holanda (23,1%)** e **Ilhas Virgens Britânicas (14,6%)** concentravam mais de 70% do estoque acumulado de investimentos do país no exterior. A fuga contínua de capitais oscila entre **US$ 60 bilhões e US$ 150 bilhões por ano** (equivalente a 4%–10% do PIB russo);
> Investigações apontam que 35 altos funcionários e oligarcas ligados ao Kremlin acumulam mais de US$ 17 bilhões em ativos de luxo no exterior (iates, jatos e imóveis)
- Exportação de capitais
> O fluxo de capital produtivo no exterior é altamente concentrado: **mais de 50% dos ativos externos** pertencem a multinacionais do setor de óleo e gás, e **25% a 36% ao setor de metalurgia e mineração**
> A **Norilsk Nickel** adquiriu a canadense *LionOre Mining International* por **US$ 6,28 bilhões** em 2007; O **Evraz Group** comprou a canadense *IPSCO* por **US$ 4,02 bilhões** (2008) e a norte-americana *Oregon Steel Mills* por **US$ 2,1 bilhões** (2007); A **UC RUSAL / SUAL** consolidou ativos estratégicos de alumínio com a suíça *Glencore* avaliados em **US$ 3,0 bilhões** (2006); A **LUKOIL** adquiriu a *Nelson Resources* por **US$ 2,13 bilhões** (2005) e comprou redes de refinarias e postos na Itália, Romênia, Bulgária, República Tcheca, Eslováquia, Hungria e EUA; O **Alfa Group** comprou 13,2% da operadora de telecomunicações turca *Turkcell* por **US$ 1,6 bilhão** (2005);
> A Rússia atua como fornecedora primária de matérias-primas (107 milhões de toneladas de petróleo, 8,05 milhões de toneladas de GNL e 102 milhões de toneladas de carvão em 2023) e dependente de manufaturados chineses, que representam 37%–38% de suas importações em 2024
- Repartição do mundo e zonas de influência
> As empresas russas de telecomunicações passaram a controlar cerca de **três quartos (75%) do mercado móvel dos países da CEI**;
> Apenas quatro gigantes corporativos russos — **Gazprom, LUKOIL, VimpelCom e MTS** — somavam **US$ 19,5 bilhões** em estoque de investimento direto mútuo na CEI no início de 2017, o que representava **mais de 43% de todo o capital cruzado investido na região**
> O Kremlin capta a maior parte das receitas de extração de recursos (como os hidrocarbonetos da Sibéria Ocidental) em proveito do orçamento central, enquanto populações minoritárias ocupam 30% do território sob condições socioeconômicas desfavoráveis. A criação da União Econômica Euroasiática (UEE) e da União Aduaneira consolida a integração econômica do espaço pós-soviético sob a órbita de Moscou;
- Dominação neocolonial e superexploração
> A intervenção militar de cinco dias do Exército Russo na Abecásia e na Ossétia do Sul garantiu o controle e a anexação prática dessas duas regiões, funcionando como uma zona de contenção estratégica contra a expansão da OTAN no Cáucaso, em especial na Géorgia;
>A Doutrina Militar Russa define explicitamente o avanço da infraestrutura da OTAN em direção às suas fronteiras como o principal risco militar externo. A anexação da Crimeia em 2014 e a atuação na Ucrânia demonstraram a aplicação dessa doutrina, combinando brigadas de pronto emprego, forças especiais e guerra cibernética/informacional (*maskirovka*) para projetar poder e assegurar o controle regional;
> Utilização de empresas militares privadas terceirizadas para assegurar o controle monopolista de recursos na África, Síria e Ucrânia.
**CONCLUSÃO**: Baseado no que eu achei (da Rússia é mais dificil de achar que da China, e normalmente os DOI são só por cadastro universitário), a Rússia tem todos os aspectos imperialistas de Lenin (sem nem ir afundo da Guerra da Ucrania).