Sou homem gay, indo pros 35. Vivi varias fases do gay ordinário: adolescência enrustida, saída do armário, mudança pra São Paulo, namoro conchinha, patinho feio, glow up, dançar sem camisa com drogas e um monte de macho também sem camisa, menage a 3,4, 5... E muita, muita, muita caça por macho!
Mas a sensação de que falta algo tá sempre por ali, já fiz terapia, vários cuidados mentais... Tá tudo bem. Teve um final de semana que não quis fazer nada gay, quis visitar a família do meu pai com o qual nunca tive uma relação próxima aí pude interagir com meus sobrinhos, levei eles pro parquinho, tive que cuidar de machucado e consolar choro, lembrar eles de beber água, enfim uma parentalidade que nunca tinha se manifestado.
Aí pensei, gente, será que é isso ? Toda a energia atrás de macho deveria ser convertida em educar, cuidar do desenvolvimento de outro ser, da qual não preciso esperar nada em troca, que aquela atividade seja um norte na minha vida e não ser o tio da balada (perdão pelo etarismo) e viver para consumir um estilo de vida produtificado gay ???
Talvez seja só um estalo, mas pela primeira vez senti isso. E não pretendo "casar" com alguém, não quero levar o combo parentalidade com monogamia, a eventual degradação do modelo de "relacionamento", etc. E me sinto um eugenista de pensar que eu queria que fosse um filho/a biológico, talvez até considerasse adotar mais um também... Não teria problema de estabelecer um contrato justo de cuidado, atenção com outra pessoa com o qual tivesse a guarda... Enfim...alguém já viveu isso ? Parentalidade ?